Professor titular da USP afirma que governo, mídia, sociedade organizada, ciência e academia devem se unir para combater aquecimento global



Coordenada pelo professor do curso de engenharia ambiental da Universidade Católica de Brasília (UCB), Genebaldo Freire Dias, a primeira mesa do Simpósio Internacional Mudanças Climáticas e Justiça Social: “Situação atual das mudanças climáticas no planeta e seus impactos sócio-ambientais”, foi aberta na manhã desta segunda-feira, 8.

O professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Tércio Ambrizzi, deu início ao evento destacando os principais pontos que afetam a sociedade e o meio ambiente. Responsável pelo tema “Aspectos Globais das Mudanças Climáticas”, Ambrizzi foi categórico em frisar os dados atuais do aquecimento global. “O aquecimento está por toda parte. Não há um país que não sinta essa mudança hoje. As temperaturas já não são as mesmas, os furacões começam a chegar no Brasil, o nível do mar sobe, tudo isso em decorrência do aquecimento global”.

Ambrizzi mencionou os últimos dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o qual revela para onde caminha o mundo em consequência da emissão de gases do efeito estufa. O professor adverte para a vulnerabilidade das populações mais pobres. “O aumento da temperatura, do nível do mar vai atingir principalmente os mais pobres. É preciso estarmos atentos a esse fato que atinge diretamente os brasileiros”.

Os cenários apresentados pelo professor da USP revelam que três dados têm contribuído para as mudanças climáticas. “O aumento da temperatura, o aumento do nível do mar e a concentração de dióxido de carbono (CO2)”. “Se esses dados continuarem a se expandir, o Brasil vai assumir uma nova identidade com impactos diretos à agricultura, e mais presença de secas e inundações nos próximos anos”.

Tércio Ambrizzi fechou sua apresentação deixando uma mensagem aos participantes do Simpósio. “Precisamos urgentemente de políticas públicas voltadas para o meio ambiente, precisamos conscientizar hoje para que tenhamos um futuro seguro. Para isso, é preciso aumentar a capacidade de ações humanitárias e desenvolver sistemas de alerta mais eficazes sobre as mudanças climáticas”.

A palestrante alemã, Katrin Vohland, deu ênfase aos “Aspectos Globais das Mudanças Climáticas”. Numa série de slides, a pesquisadora cita como principal responsável pela mudança no clima, as indústrias poluentes. Para reverter a situação, ela disse que a ciência, o governo, e a sociedade organizada devem se apoiar em cinco grande pilares de um acordo global. “Investir em pesquisa e desenvolvimento”; “Controlar o mercado de carbono”; “evitar o desflorestamento e a degradação”; “desenvolvimento sustentável” e “adaptação”.

Vohland ressaltou que só dinheiro não é suficiente para frear as mudanças climáticas. “Investimentos são necessários, mas o dinheiro não é suficiente. É preciso alimentar a produção de desenvolvimento sustentável”.
Para a pesquisadora, é preciso “considerar os segmentos mais pobres da sociedade, por serem vulneráveis; vincular proteção climática à redução da pobreza e interligar políticas de desenvolvimento com sustentabilidade”.

Coletiva de Imprensa
O secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Dimas Lara Barbosa; o representante da Misereor, entidade católica alemã parceira no evento, Cláudio Moser; e o professor da USP, Tércio Ambrizzi, destacaram os valores e a importância de discutir mudanças climáticas em um evento internacional.
Dom Dimas afirmou que a consciência ambiental tem crescido na Igreja.

O secretário relembrou alguns dos esforços da Igreja no Brasil para tratar da temática ecológica. “Não é de hoje a preocupação da Igreja em tratar das questões ligadas a ecologia. Podemos lembrar que em 1979, a Campanha da Fraternidade refletiu a temática “Preserve o que é de todos”; em 2004 voltamos a pensar sobre o assunto com a Campanha da Fraternidade “Água, fonte de vida”, e em 2007 com a Campanha “Vida e Missão neste Chão”, enumerou.

“Acreditamos que as mudanças climáticas irão atingir as populações mais pobres do Brasil. Questões ligadas às águas, alimentação e saúde serão diretamente atingidas. Os ricos sofrerão menos com essas mudanças, por isso, é importante criar formas de adaptação a essas mudanças climáticas”, disse Cláudio Moser.

Tércio Ambrizzi também sublinhou que a sociedade, o governo e os meios de comunicação devem estar atentos aos dados apresentados pela ciência referentes a mudanças climáticas. “Nos últimos 30 anos a temperatura da terra subiu 0,5º. O nível do mar subiu entre 1 e 2º. Se o mar sobe mais meio grau, pode ocorrer sérios danos em muitos pontos do litoral brasileiro. Se a temperatura subir, muitas regiões podem sofrer. É preciso atentar para esses números”.

Ambrizzi advertiu ainda para a importância da ligação que deve existir entre governo, meios de comunicação, ciência, academia e a sociedade organizada. Segundo o professor, essa ponte antecipa dados que podem evitar catástrofes no país e no mundo. “Os desastres que aconteceram no Norte e Nordeste já havia sido identificado pelos centros de meteorologia. Foi divulgado que havia grandes chances de cair muito volume de chuvas e nada foi feito. Esperou-se que caísse e ocorre o que todos nós já sabemos”.

fotos e matéria: Fúlvio Costa
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