Querem apagar a história, afogar a cultura e destruir o Rio Araguaia


Com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, não deu certo; já com o atual ministro Carlos Minc, já não podemos dizer o mesmo. Desde 2002, há um projeto barrado no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para a construção da usina hidrelétrica de Santa Isabel, nas terras onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia, e que, provavelmente, ainda se encontram os corpos de 58 brasileiros pertencentes ao PC do B, que teriam sido assassinados a sangue-frio e sob tortura pelo exército durante o Regime Militar.

A hidrelétrica é um projeto do consórcio Gesai, formado por cinco grandes empresas: Vale do Rio Doce, Camargo Corrêa, Billiton Metais, Alcoa Alumínio e Votorantim Cimentos. O assunto precisa entrar em discussão, porém a sociedade brasileira não está a par do que se trata. Dois pontos são trágicos e estão sendo camuflados tanto pelo Governo federal, como pelas empresas envolvidas.

Perdas irreparáveis
As obras da hidrelétrica deverão começar em 2013. Com isso, só restam 4 anos para se encontrar os corpos dos mortos na Guerrilha do Araguaia, o que é praticamente impossível se não for feito um trabalho sério para isso. Até hoje, apenas um corpo foi encontrado.

Segundo: As perdas não serão apenas para os guerrilheiros esquecidos, mas também para os mais de 2 mil habitantes que deverão obrigatoriamente deixar a região. Além disso, como se não bastasse, 113 sítios arqueológicos irão desaparecer com 5,7 mil pinturas rupestres datadas de 8 mil anos, o que a Revista Carta Capital da semana passada classificou como: “A maior perda de patrimônio histórico e cultural ocorrido de uma só vez no Brasil”. Você acha que é só isso? Claro que não. Ficarão embaixo d’água ainda 31 cachoeiras e 47 cavernas da região.

É o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) chegando aos locais mais remotos do Brasil, atingindo o pobre em benefício da industrialização sem precedentes. É, Carlos Minc, não é a primeira vez que este blog ataca suas posições, e certamente não será a última.

Fim de mais uma memória da Ditadura
A iniciativa também é uma forma de dar um fim às memórias da Ditadura Militar. Uma vez submersa, a região não terá mais acesso para pesquisas históricas sobre a ditadura imposta na década de 60. Irão gostar aqueles coronéis e torturadores da época, ainda vivos. Some a história, a natureza e também a virgindade do Araguaia.

Fúlvio Costa
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