Marina Silva para Caros Amigos: “[...] O melhor para a agricultura é transitar de um modelo insustentável para o modelo sustentável [...]


A entrevista de capa da Revista Caros Amigos trouxe no mês de julho a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que falou um pouco de sua infância, adolescência, sonhos, conquistas e derrotas. Em cinco longas páginas da revista mensal, a senadora falou, de modo especial, do agronegócio que, segundo ela, “quer acabar com a Amazônia”.

Marina destacou na entrevista passar por um dos piores momentos de sua vida, período que o país passa por um “desmonte da legislação ambiental encabeçada pelos ruralistas”. Sobre a MP 458, que teve apenas uma parte do artigo 7º vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que trata da transferência de terras da União para empresas, para a ex-ministra é fruto de uma visão atrasada e equivocada.

“É um conjunto de mudanças que represent um retrocesso. Está se armando uma bomba de efeito retardado que não poderá ser condita na hora que o país voltar a crescer. Está se transferindo 60 milhões de hectares de unidades de conservação. Se isso prosperar, será avassalador para os próximos anos da política ambiental do país”, alertou.

Marina Silva disse ainda que o setor que luta por medidas na lei ambiental trata-se do agronegócio. Sobre esse setor, novamente ela chama de “atrasado” que deveria pensar em desenvolvimento sustentável para o próprio bem. Existe uma parte do setor do agronegócio “que não consegue perceber que o melhor para a agricultura é transitar do modelo insustentável para o modelo sustentável, o que pressupõe o respeito à reserva legal, à área de preservação permanente, o uso de forma intensiva das áreas que foram abertas, uso de novas tecnologias. Existe um custo, mas ele está sendo depositado na conta da natureza. Daqui um tempo, ele será devolvido com menos chuva, menos possibilidade de polinização, e uma série de prejuízos. E, daqui a pouco, talvez seja tarde demais”.

De forma categórica, a ex-seringueira deixou claro que a MP 458 “favorece a grilagem”. De acordo com ela, a medida não assegura a questão da vistoria acima de 100 hectares, até os 4 módulos fiscais. Porque existem também os laranjas para os 400 hectares”.

Com a pergunta do jornalista Marcos Zibordi: “Em que mundo que seus netos vão viver?”, Marina Silva concluiu: “Eu quero muito que o mundo seja melhor do que ele é hoje, que a Amazônia continue a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, que não haja um derretimento do gelo no ártico tão violento. Mas meu compromisso não é apenas com o meu neto, tem que ser com todos aqueles que ainda não nasceram, os filhos dos filhos dos filhos, Se ficarmos pensando apenas no nosso filho e no nosso neto, isso foi o que nossos pais pensaram e deu no que deu. Temos que pensar além deles e a contribuição tem que ser dada agora, por cada um de nós, porque estamos diante de uma esquina civilizatória, que é também uma esquina ética”.

Texto: Fúlvio Costa
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