Seminário Nacional em defesa da Reforma Agrária e do Meio Ambiente organiza frente contra a alteração do Código Florestal brasileiro

2 comentários

Realizou-se ontem, 10, no auditório Petrônio Portela do Senado Federal, o Seminário Nacional em defesa da Reforma Agrária e do Meio Ambiente, organizado por 20 entidades, incluindo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) representada pelo bispo emérito de Goiás (GO), dom Tomás Balduino e pelo secretário nacional do Mutirão pela Superação da Miséria e da Fome, padre Nelito Dornelas. O Seminário trata de uma luta conjunta de pautas comuns dos Pequenos Camponeses e ambientalistas contra as alterações do Código Florestal brasileiro.

Dom Tomás participou da mesa de abertura do evento e, em sua fala, fez memória ao deputado federal Adão Preto, falecido recentemente, como um árduo defensor dos trabalhadores rurais. Lembrou do Dia Internacional da Mulher e elogiou a presença feminina no auditório, além de reafirmar a posição da Igreja latino-americana em favor dos mais pobres como “sujeitos, atores e protagonistas de sua própria caminhada”.

O bispo também afirmou que este é um momento de avanço do agronegócio. Segundo ele, o Seminário discute a união das frentes camponesas por uma posição de luta por suas terras e seu espaço no campo contra o avanço dos latifundiários: “O agronegócio avança cada vez mais, afasta e intimida a presença do pequeno e médio camponês. Este é um momento de resistência a esse avanço com expectativa positiva”.

O evento foi marcado por palestras e apresentação de quadros e tabelas que mostram a situação da Reforma Agrária, da divisão de terras em latifúndios e minifúndios e desmatamento da região amazônica. Para a integrante nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores e da Via Campesina, Maria Costa, o evento faz parte da agenda de ações das organizações camponesas e ambientalistas cujo objetivo é aprofundar a discussão do Código Florestal e regularização fundiária: “O Seminário acontece em defesa do código florestal e na defesa do meio ambiente a fim de construir as alianças entre as organizações camponesas e ambientalistas contra as alterações do Código Florestal brasileiro que irá desbancar o pequeno agricultor e favorecer os grandes ruralistas”.

Da mesma forma, o advogado e coordenador do Programa de Política e Direito do Instituto Sócio-ambiental, Raul Silva Teles do Vale, diz que o evento é importante porque cristaliza uma aliança entre os movimentos ambientalistas e camponeses, para unir forças contra a proposta de alteração do Código Florestal que está sendo promovido pelo Ministério da Agricultura e pela bancada ruralista do Congresso que, segundo ele, quer destruir a Lei de proteção ambiental mais importante do país: “Eles anistiam quem desmata ilegalmente as florestas e com a alteração do Código isso vai piorar porque os latifundiários terão permissão legal para desmatar a Amazônia e expandir o agronegócio, o que vai causar um grande problema sem precedentes, se passar”.

Raul explica ainda que a Medida provisória 458 que fala sobre regularização fundiária na Amazônia visa privatizar grandes extensões de terras públicas na Amazônia sem nenhum controle social de destinação: “todos nós estamos entendendo que esta MP tem o poder de destinar terras que hoje são públicas para os grileiros e grandes latifundiários, o que aumentará o sistema de privatização da terra que é ruim do ponto de vista de distribuição da terra e pior ainda do ponto de vista ambiental. Na minha visão, o pequeno agricultor é quem tem as melhores condições de produzir, preservando e conseguindo manter as condições ambientais da terra, ao mesmo tempo em que produz riqueza”, completa.



Apuração, redação, e fotos: Fúlvio Costa, direto do Senado Federal

Eu assisti o documentário “Uma verdade inconveniente”, de Al Gore

2 comentários

Neste fim de semana eu tive o privilégio de assistir o documentário “Uma Verdade Inconveniente”, do americano e ex-vice-presidente dos Estados Unidos da América, entre 1993 a 2001, Al Gore. O vídeo, de 80 minutos, trata da emergência do planeta terra perante a situação do aquecimento global e já ganhou o Oscar de melhor documentário em 2006, e o Prêmio Nobel da Paz, de 2007.

Segundo Al Gore, no documentário, se confirmadas as pesquisas dos estudiosos, no caso ele também é um estudioso do aquecimento global, o planeta “só tem 10 anos para reverter a situação de uma catástrofe jamais passada por nós antes”. As palavras foram ditas em 2005, quando foi lançado o vídeo, ou seja, há 4 anos.

"Acreditava-se que a maior massa de gelo no planeta - a Antártida oriental - estivesse aumentando. Faz dois meses, um novo estudo pormenorizado mostrou indícios de que ela também pode estar começando a derreter. O sistema do clima geral é formado pelos padrões planetários dos ventos e das correntes marítimas, que redistribuem o calor dos trópicos para os pólos", explica Gore.

O documentário realizado a partir de um slide show que Al Gore apresenta pelo mundo inteiro, o qual ele diz ter apresentado pelo menos umas mil vezes, considera a ação humana com ênfase na emissão de CO2 na atmosfera, um dos principais fatores do aquecimento global, o derretimento de geleiras e, consequentemente, o aumento do nível do mar que deverá inundar cidades e até mesmo estados e províncias litorâneas do planeta em breve.

“O aquecimento global provocará uma mudança climática que acabará com a vida como a conhecemos”, adverte Al Gore. Para reverter a situação, o quase próximo presidente dos EUA, sublinha que é necessária uma ação internacional urgente. Outros cientistas e estudantes do aquecimento global, no entanto, acreditam que o aquecimento já se trata de um ponto sem volta e que a situação se tornará “insuportável lá por volta de 2040”, como bem cita o cientista e ambientalista inglês James Lovelock, em seu livro, “A vingança de Gaia”, lançado recentemente.

Lock vai mais longe em seu livro, e diz que até 2100, é provável que 80% da humanidade desapareça. “O aquecimento global foi provocado pelo homem e, por isso, corremos o risco de ser extintos”.

Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, é uma reflexão sobre um futuro incerto. É um olhar de um estudioso que se preocupa com o meio ambiente e já mostra pessimismo sobre o futuro da humanidade.

Durante o vídeo, Al Gore faz uma comparação do planeta terra e a humanidade hoje, e um sapo jogado dentro de uma panela fervente. Para ele, se o sapo está na panela com água fria e esta começa a ferver, o sapo pula fora, quando a água começa a esquentar. Mas, se esta panela está quente, o sapo continua lá até que morra ou alguém o retire. Há uma mensagem oculta aí: a humanidade está adormecida quanto ao aquecimento global. A panela já está fervendo, mas estamos todos dormindo diante da situação.

De acordo com Gore, a única coisa que ainda nos falta para entrar em ação é a vontade política. No entanto, como ele mesmo faz questão de lembrar no documentário, "nas democracias a vontade política é um recurso renovável".

Fúlvio Costa


Em Salvador, régua gigante alerta para a elevação do nível do mar em consequência do aquecimento global

2 comentários

Um grupo de ativistas do Greenpeace Brasil escalou o elevador Lacerda, na sexta-feira, 6, em Salvador (BA) e pendurou uma faixa de 40 metros, que simulou uma régua gigante em referência ao nível do mar que tem aumentado nos últimos anos em consequência do aquecimento global.

A faixa ficou estendida até o período da tarde. Segundo a assessoria de imprensa da entidade, para não causar danos ao elevador. Esta foi a primeira manifestação do grupo composto apenas por membros brasileiros. Esta semana, os ativistas devem fazer outro manifesto no Rio de Janeiro.

Fúlvio Costa

Post especial: Às mulheres, memoráveis criaturas de Deus

1 comentários

Fibra e força, coragem e sedução. A mulher é um aspecto de Deus feito carne no mundo. É o reflexo do amor sem limites. É os braços do berço familiar. Nas horas tristes é uma guerreira, nas alegrias é a protagonista. Tempo ruim é superado com vigor e força de esperança. A vida diária é de fato o momento propício para se viver e fazer o próximo feliz. Como mãe é protetora, como mulher, companheira; como amiga, fiel; e como ser humano a expressão da existência que ultrapassa a limitação do sexo. Quando brava é um alerta, quando feliz uma canção. Mulher, tua personalidade é a completude de todos os seres vivos. Teu afago é o gesto concreto de que o toque feminino é o brilho do amor sobre os filhos desta terra. Parabéns pelo teu dia!

Fúlvio Costa

Inovação: gotejador de água para plantas

2 comentários
Acqua Vitta Floral é uma empresa de Bauru (SP) especializada em cuidar de jardinagem. Recentemente lançou no mercado um produto inovador na área de jardinagem doméstica, voltado à manutenção prática de plantas e flores em geral. Com apenas uma garrafa pet e um controlador na boca da garrafa, as plantas podem ser cuidadas automaticamente sem que para isso se desperdice água. Veja nas imagens a eficácia do sistema de gotejamento para cultivo de plantas em pequena escala.

Fúlvio Costa, com informações da Acqua Vitta Floral






INPE divulga novos dados sobre o desmatamento da Amazônia legal; desta vez, 754 km² de florestas foram ao chão

0 comentários

Mais 754 quilômetros quadrados da Amazônia legal foram derrubados. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para os meses de novembro, dezembro e janeiro. Respectivamente, foram registrados, nesses meses a queda de: 355 km², 177 km² e 222 km².

O estado com a maior área desmatada é o Pará, com 319 Km² do total, seguido do Mato Grosso, que desmatou 272 Km². Para que a pesquisa do INPE tenha êxito é preciso ter poucas nuvens no céu, já que os dados são capturados por satélite. No mês de dezembro as nuvens chegaram a cobrir 86% da região. Em novembro, 63% da Amazônia legal esteve encoberta e em janeiro, 76%.

De acordo com o Instituto pesquisador, “o desmatamento não é um evento, mas um processo”. A conversão de floresta primária até o estágio de corte raso pode levar de alguns meses até vários anos para ser concluída. “Os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (DETER) podem incluir áreas cortadas em períodos anteriores ao do mês de mapeamento ou em processo de desmatamento progressivo”, alertam.

Os mapas que indicam as áreas com nuvens, gráficos e tabelas com os números do desmatamento registrados pelo sistema em cada estado e em cada mês estão disponíveis no site do DETER: www.obt.inpe.br/deter. As informações referentes aos meses de fevereiro a abril serão divulgados até o final de maio.

Fúlvio Costa com informações do INPE

“Até 2050, produção de alimentos cairá em 25% no mundo”, diz relatório da ONU

0 comentários

Mudanças Climáticas, escassez de água, pragas e degradação do solo. Estes são os principais fatores que provocarão a redução de 25% da produção mundial de alimentos prevista para 2050. Os dados são da Organização das Nações Unidas divulgados no último em fevereiro.

Os dados revelam ainda que a redução vai atingir o planeta quando sua população estiver em 2 bilhões de pessoas a mais. A pesquisa é do Programa das Nações Unidas para o Merio Ambiente (Pnuma), segundo o qual a produção de pescado está diminuindo e a produção de cereais permanece estagnada.

O caminho que o planeta está trilhando parece começar a ficar irreversível. Ano passado, as elevações de preços nos alimentos lançou 110 milhões de pessoas na pobreza. Em um novo relatório, o Pnuma diz que a tendência de 100 anos de queda nos custos dos alimentos pode estar chegando ao fim.

“Precisamos lidar não apenas com a forma com que o mundo produz alimentos, mas com a forma como eles são distribuídos, vendidos e consumidos, e precisamos de uma revolução que aumente a produção agindo em conjunto e não contra a natureza”, disse o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner.

Em entrevista coletiva durante a reunião ambiental da ONU que ocorre no Quênia, Steiner disse que mais da metade da comida produzida mundialmente hoje foi perdida, desperdiçada ou jogada fora em razão da ineficiência: "Há evidência no relatório de que o mundo poderia alimentar todo o crescimento projetado da população apenas se tornando mais eficiente, mas também garantindo a sobrevivência de animais, pássaros e peixes deste planeta", sublinhou o diretor.

Já o relatório Rapid Response Assessment [avaliação para resposta rápida, na tradução livre], lançado terça-feira pelo Pnuma, diz que os preços mundiais de alimentos devem subir entre 30 e 50 por cento ao longo das próximas décadas - enquanto a população global deverá aumentar para mais de 9 bilhões dos quase 7 bilhões atuais.

Propostas do Documento
Estabelecer regulamentações nos preços das commodities seria uma das alternativas para a amenização das altas nos alimentos, bem como organizar estoques de cereais maiores como proteção à volatiildade nos preços. O documento pede também a realização de “redes de segurança” para as pessoa que estão sob maior risco de fome.
Atualmente, mais de um terço dos cereais produzidos no mundo são usados para alimentação animal. Essa proporção, de acordo com o Pnuma, deve subir para 50% até 2050. Uma das propostas é utilizar restos de comida reciclados como alternativa ambiental.

"Temos um problema muito sério em nosso planeta", frisou ainda Steiner. "É improvável que apenas alavancar os métodos de produção com fertilizantes e pesticidas do século XX vá resolver o desafio", ressalva. “São necessárias soluções inovadoras, como as do Níger, onde especialistas do Pnud estão estudando como preservar cerca de 60% da produção de cebola que apodrece antes de ser comercializada”, completa o diretor-executivo.


Fúlvio Costa, com informações do Pnuma

Querem apagar a história, afogar a cultura e destruir o Rio Araguaia

0 comentários

Com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, não deu certo; já com o atual ministro Carlos Minc, já não podemos dizer o mesmo. Desde 2002, há um projeto barrado no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para a construção da usina hidrelétrica de Santa Isabel, nas terras onde ocorreu a Guerrilha do Araguaia, e que, provavelmente, ainda se encontram os corpos de 58 brasileiros pertencentes ao PC do B, que teriam sido assassinados a sangue-frio e sob tortura pelo exército durante o Regime Militar.

A hidrelétrica é um projeto do consórcio Gesai, formado por cinco grandes empresas: Vale do Rio Doce, Camargo Corrêa, Billiton Metais, Alcoa Alumínio e Votorantim Cimentos. O assunto precisa entrar em discussão, porém a sociedade brasileira não está a par do que se trata. Dois pontos são trágicos e estão sendo camuflados tanto pelo Governo federal, como pelas empresas envolvidas.

Perdas irreparáveis
As obras da hidrelétrica deverão começar em 2013. Com isso, só restam 4 anos para se encontrar os corpos dos mortos na Guerrilha do Araguaia, o que é praticamente impossível se não for feito um trabalho sério para isso. Até hoje, apenas um corpo foi encontrado.

Segundo: As perdas não serão apenas para os guerrilheiros esquecidos, mas também para os mais de 2 mil habitantes que deverão obrigatoriamente deixar a região. Além disso, como se não bastasse, 113 sítios arqueológicos irão desaparecer com 5,7 mil pinturas rupestres datadas de 8 mil anos, o que a Revista Carta Capital da semana passada classificou como: “A maior perda de patrimônio histórico e cultural ocorrido de uma só vez no Brasil”. Você acha que é só isso? Claro que não. Ficarão embaixo d’água ainda 31 cachoeiras e 47 cavernas da região.

É o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) chegando aos locais mais remotos do Brasil, atingindo o pobre em benefício da industrialização sem precedentes. É, Carlos Minc, não é a primeira vez que este blog ataca suas posições, e certamente não será a última.

Fim de mais uma memória da Ditadura
A iniciativa também é uma forma de dar um fim às memórias da Ditadura Militar. Uma vez submersa, a região não terá mais acesso para pesquisas históricas sobre a ditadura imposta na década de 60. Irão gostar aqueles coronéis e torturadores da época, ainda vivos. Some a história, a natureza e também a virgindade do Araguaia.

Fúlvio Costa